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Separação Vertical

A forma mais simples

A separação vertical é a mais simples de aplicar e a que menos depende de equipamento. Basta que as aeronaves voem em níveis diferentes, com o altímetro ajustado da mesma forma. Em rota, isso significa ajustar 1013,2 hPa e voar no nível de voo atribuído1. Abaixo da altitude de transição, todas usam o QNH e voam em altitudes.

Por isso ela é a primeira ferramenta de qualquer controlador. Se você não tem certeza de que duas aeronaves estão separadas lateral ou longitudinalmente, ponha-as em níveis diferentes.

Mínimos

Faixa Mínimo Fonte
Abaixo do FL 290 1.000 pés 2
Do FL 290 ao FL 410, inclusive, entre aeronaves aprovadas RVSM 1.000 pés 2 3
Do FL 290 ao FL 410, inclusive, se alguma das aeronaves não for aprovada RVSM 2.000 pés 2 4
Acima do FL 410 2.000 pés 2
Na TMA, aplicada pelo APP 1.000 pés 5

Todos os níveis do FL 290 ao FL 410 nas FIR brasileiras são espaço aéreo RVSM3. O normal, então, é 1.000 pés em toda a faixa de cruzeiro. A exceção é a aeronave não aprovada RVSM, que exige 2.000 pés de qualquer outra4.

Como saber se a aeronave é RVSM

A aeronave aprovada RVSM tem a letra W no item 10 do plano de voo. Um piloto sem aprovação deve dizer "negativo RVSM" no contato inicial dentro do espaço aéreo RVSM, em todo pedido de mudança de nível e em todo cotejamento de autorização de nível6. Se tiver dúvida, pergunte.

PT ART, confirme aprovação RVSM?

*PT ART, negativo RVSM.

Os níveis de cruzeiro do espaço aéreo RVSM e a regra de rumo estão no Manual de Espaço Aéreo e Serviços ATS.

Na rede

Na VATSIM, quase todo jato voa com W no plano de voo, e os aviões leves e turbo-hélices raramente sobem ao FL 290. Mas aeronaves antigas, aeronaves militares e planos de voo mal preenchidos aparecem. Se um tráfego sem W pedir o FL 290 ou acima, aplique 2.000 pés ou mantenha-o abaixo do FL 290.

Nível de cruzeiro

Os níveis de cruzeiro seguem a tabela da ICA 100-12 em função do rumo magnético, a menos que o ACC autorize outro nível ou que a carta de rota preveja algo diferente7. Em aerovia de sentido único, todos os níveis podem ser usados8.

Ao decidir entre duas aeronaves que querem o mesmo nível:

  • Quem já está no nível tem, normalmente, prioridade sobre quem o pede. Entre duas aeronaves no mesmo nível, a da frente tem prioridade9.
  • Para aeronaves com o mesmo destino, atribua os níveis de cruzeiro, na medida do possível, na ordem em que vão se aproximar10. Quem vai pousar primeiro deve estar mais baixo, para descer primeiro.

Usar um nível que outra aeronave deixou

Uma aeronave pode ser autorizada a um nível ocupado por outra depois que esta tiver reportado que o deixou11. Não basta a autorização para a outra descer, nem o alvo começar a se mover na tela: é preciso que ela tenha deixado o nível.

Essa regra tem três exceções. Nelas, você só autoriza o nível quando a aeronave que o deixou reportar que já está em outro nível, ou que está passando por um nível com a separação mínima12:

  • quando se sabe que há turbulência forte;
  • quando a aeronave mais alta está fazendo uma subida de cruzeiro;
  • quando a diferença de desempenho entre as duas pode levar a uma separação menor que a mínima.

No APP, a regra é a mesma. Com turbulência forte, a autorização fica suspensa até a aeronave que deixou o nível informar que já está em outro nível com a separação mínima13.

Exemplo

Um B738 está no FL 160 e um C208, no FL 150. Você quer descer o C208 para o FL 140 e o B738 para o FL 150. O B738 só pode receber o FL 150 depois que o C208 reportar livrando o FL 150. Mas o B738 desce muito mais rápido que o C208. É a terceira exceção: espere o C208 informar que está mantendo o FL 140, ou que passou o FL 140 com folga, antes de autorizar o B738.

Com vigilância ATS, o modo C ou o ADS-B mostram o nível de cada aeronave. A ICA 100-37 define quando uma aeronave está mantendo, livrando, cruzando ou atingindo um nível pela leitura da tela. Os critérios estão no Manual de Vetoração e Sequenciamento.

Na espera

Num mesmo circuito de espera, aeronaves que descem com razões de descida bem diferentes podem perder a separação, mesmo uma partindo de cima e a outra de baixo. Se for preciso, dê uma razão máxima de descida para a de cima e uma razão mínima para a de baixo14.

Cruzar o nível de outra aeronave

Para uma aeronave subir ou descer através do nível de outra, a separação vertical precisa ser trocada por uma horizontal durante o cruzamento.

  • Com vigilância ATS, basta manter os 5 NM entre os alvos durante todo o cruzamento.
  • Sem vigilância, use os mínimos longitudinais para aeronaves subindo ou descendo, que estão em Separação Horizontal.

Boa prática

Quando a mudança de nível é grande, autorize a aeronave primeiro até o nível adjacente ao da outra, com uma restrição de horário, de fixo ou de distância DME para seguir adiante. A própria ICA 100-37 sugere isso para garantir a separação mínima no momento do cruzamento15.

TAM 3246, suba para FL 090 até 15 NM do VOR Campinas.

Restrições de nível

A forma mais segura de garantir a separação vertical num ponto é dizer onde a aeronave tem de estar acima ou abaixo de um nível. Você também pode autorizar a mudança de nível num horário, num local ou com uma razão vertical especificada16.

ABJ 9203, cruze NEROK no FL 240 ou abaixo.

TAM 3506, autorizado para KONSO FL 180, cruze VOR Santa Cruz no FL 120 ou acima.

Restrições de razão de subida e de descida estão em Ajuste de Velocidade, no Manual de Vetoração e Sequenciamento.


  1. ICA 100-37, Art. 322. Ver ICA 100-37. ↩

  2. ICA 100-37, Art. 323. ↩↩↩↩

  3. AIP-Brasil, ENR 2.2, itens 1.1 e 1.3. ↩↩

  4. AIP-Brasil, ENR 2.2, item 1.6. ↩↩

  5. ICA 100-37, Art. 432. ↩

  6. AIP-Brasil, ENR 2.2, item 1.8.1, e MCA 100-16, Arts. 48 e 76. Ver MCA 100-16. ↩

  7. ICA 100-37, Art. 325, e ICA 100-12, Art. 142 e Anexo IV. Ver ICA 100-12. ↩

  8. ICA 100-37, Art. 326. ↩

  9. ICA 100-37, Art. 329 e parágrafo único. ↩

  10. ICA 100-37, Art. 328. ↩

  11. ICA 100-37, Art. 330. ↩

  12. ICA 100-37, Art. 330, incisos I a III, e Art. 331. ↩

  13. ICA 100-37, Art. 433 e parágrafo único. ↩

  14. ICA 100-37, Art. 332. ↩

  15. ICA 100-37, Art. 364, § 2°, e Art. 373, parágrafo único. Fraseologia do MCA 100-16, Art. 118. ↩

  16. ICA 100-37, Art. 327. Fraseologia do MCA 100-16, Art. 92. ↩