Introdução
Apresentação
Separar aeronaves é a razão de ser do controle de tráfego aéreo. Todas as outras tarefas existem em torno dela: autorizar níveis e rotas, vetorar, ajustar velocidades, coordenar com o órgão vizinho e sequenciar a pista. O objetivo comum é que duas aeronaves nunca fiquem mais próximas do que um mínimo definido.
Esses mínimos dependem do que o controlador sabe sobre cada aeronave. Com vigilância ATS, ele vê as duas na tela e mede a distância entre elas. Sem vigilância, depende de níveis, horários e distâncias DME informados pelos pilotos. Na pista, a referência é o que a torre vê. E acima de tudo isso está a esteira de turbulência: uma aeronave grande deixa atrás de si um ar que uma aeronave menor não aguenta, e isso exige mais espaço do que a simples prevenção de colisão.
Este manual é para quem vai controlar qualquer posição com responsabilidade de separação na Vatsim Brasil: torre (TWR), aproximação (APP) ou centro (CTR). Ele mostra que separação cada voo recebe, quais são os mínimos e como aplicá-los no dia a dia da rede.
| Revisão | Data | Descrição | Revisor |
|---|---|---|---|
| 10/2026 | 08/10/2026 | Criação do Manual | — |
Sobre este Manual
A base normativa é a ICA 100-371:
- os Arts. 39 a 43 e as Seções XI e XVI do Capítulo III, para quem recebe separação, de que formas e a própria separação em VMC;
- as Seções XXVI a XXIX do Capítulo III, para a esteira de turbulência;
- a Seção III do Capítulo IV, para os mínimos verticais, laterais e longitudinais;
- as Seções IV, V e XVI do Capítulo V, para as partidas e chegadas no controle de aproximação;
- as Seções XIV a XVI do Capítulo VI, para a separação na pista;
- as Subseções II e III da Seção XVII do Capítulo XI, para a separação com vigilância ATS.
Os níveis de cruzeiro vêm da ICA 100-122 e a fraseologia, do MCA 100-163.
Algumas partes do manual são técnica, e não norma: como montar uma subida com cruzamento de nível, como cronometrar a esteira na torre e regras de bolso para a tela. Esses trechos aparecem marcados como boa prática. Quando uma boa prática e a ICA 100-37 parecerem divergir, vale a ICA 100-37.
Escopo
Este manual cobre:
- quem recebe separação em cada classe de espaço aéreo, e as formas de separação;
- a própria separação em VMC e a informação de tráfego essencial;
- a separação vertical: mínimos, RVSM e uso de níveis liberados por outra aeronave;
- a separação horizontal convencional: lateral, por tempo e por distância DME ou GNSS;
- a separação horizontal com vigilância ATS;
- a esteira de turbulência: categorias, mínimos por distância e por tempo, isenções e avisos;
- a separação no aeródromo: na pista, entre partidas e entre partidas e chegadas;
- a fraseologia correspondente, em português e inglês.
Fora do escopo
Não fazem parte deste manual:
- a separação no espaço aéreo oceânico, a técnica do número Mach e os mínimos baseados em RNP, ADS-C ou CPDLC, que estão no MOP da FIR Atlântico;
- a separação composta, a separação por tempo na final (TBS) e os mínimos radar reduzidos, que dependem de autorização específica do DECEA;
- as operações em pistas paralelas, que têm regras próprias no Capítulo VII da ICA 100-37;
- as técnicas de vetoração e de ajuste de velocidade para obter a separação, que estão no Manual de Vetoração e Sequenciamento.
Importante
Conteúdo destinado ao ambiente de simulação de voo. Em operações reais, utilize sempre as publicações oficiais vigentes, as cartas aeronáuticas e os canais AIS e ATS.
Como usar este manual
- Leia Fundamentos da Separação para saber quem recebe separação e de que formas ela pode ser dada.
- Leia Separação Vertical e Separação Horizontal para conhecer os mínimos e quando usar cada um.
- Leia Esteira de Turbulência para saber quando o mínimo de esteira substitui o mínimo normal.
- Leia Separação no Aeródromo se você vai controlar uma torre, ou se precisa saber o que a torre espera do APP.
- Consulte a Fraseologia sempre que tiver dúvida sobre o que dizer.
- Revise o Checklist Rápido antes de abrir a posição.
Leitura complementar
Este manual pressupõe os conceitos do Manual de Espaço Aéreo e Serviços ATS: classes de espaço aéreo, níveis de cruzeiro e altitude de transição. A separação com vigilância ATS é usada na prática por meio da vetoração, que está no Manual de Vetoração e Sequenciamento. O que se combina com o órgão vizinho para manter a separação na transferência está no Manual de Coordenação e Transferência.
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ICA 100-37, Serviços de Tráfego Aéreo: regulamenta no Brasil os Serviços de Tráfego Aéreo previstos no Anexo 11 e no Doc 4444 da OACI. Edição em vigor em 27/11/2025. ↩
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ICA 100-12, Regras do Ar: estabelece as regras do ar, incluindo as tabelas de níveis de cruzeiro do Anexo IV. Edição aprovada pela Portaria DECEA/DNOR1 n° 1.536, de 31/10/2024. ↩
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MCA 100-16, Fraseologia de Tráfego Aéreo: estabelece os padrões de fraseologia de tráfego aéreo. Edição aprovada pela Portaria DECEA/DNOR1 n° 1.716, de 28/04/2025. ↩