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Transferência de Controle

Com vigilância ATS

Onde há vigilância ATS, a transferência de controle deve ser feita sempre que a aeronave passar de um órgão ou setor para outro que também a preste, para que o serviço não seja interrompido1. A ICA 100-37 prevê duas formas de fazer isso.

Transferência sem prévia coordenação

Quando o radar secundário ou o ADS-B mostram as aeronaves com etiquetas, a transferência entre posições ou órgãos adjacentes pode ser feita sem prévia coordenação, desde que2:

  1. o plano de voo atualizado da aeronave, inclusive o código transponder, seja comunicado ao aceitante antes da transferência;
  2. a aeronave apareça na tela do aceitante antes da transferência e seja identificada, de preferência antes da chamada inicial;
  3. os controladores tenham como falar entre si instantaneamente, a qualquer momento;
  4. os pontos de transferência e as demais condições estejam fixados em instruções específicas ou numa carta de acordo operacional;
  5. essas instruções prevejam que o aceitante pode encerrar esse tipo de transferência a qualquer momento, normalmente com coordenação prévia;
  6. o aceitante seja informado de qualquer instrução de nível, velocidade ou vetor que modifique o progresso previsto do voo no ponto de transferência.

É o que a rede faz com a transferência pela etiqueta no EuroScope. O plano de voo e o código já circulam pela rede, a aeronave aparece na tela de quem vai recebê-la, e o chat está sempre disponível. A condição 6 é a que mais falha: o que não está na etiqueta precisa ser dito. Se você deu uma proa, uma velocidade ou um nível diferente do esperado no ponto de transferência, lance na etiqueta e, se não couber, avise pelo chat.

A separação entre aeronaves prestes a ser transferidas dessa forma deve levar em conta todas as circunstâncias técnicas e operacionais. Se as condições deixarem de ser atendidas, volte à transferência com coordenação até a situação se resolver3.

Transferência com coordenação

Quando as condições acima não se aplicam, a transferência pode ser feita desde que4:

  1. a identificação tenha sido transferida ao aceitante, ou estabelecida diretamente por ele;
  2. os controladores possam falar entre si instantaneamente;
  3. a separação com os outros voos controlados atenda às mínimas previstas para a transferência entre aqueles setores ou órgãos;
  4. o aceitante seja informado das instruções de nível, velocidade ou vetor aplicáveis no ponto de transferência;
  5. o transferidor mantenha a comunicação com a aeronave até o aceitante concordar em assumir o Serviço de Vigilância ATS.

Depois disso, a aeronave é instruída a mudar de frequência, e a responsabilidade passa a ser do aceitante4.

Transferir a identificação

A transferência de identificação só deve começar quando a aeronave já estiver dentro da cobertura de vigilância do aceitante5. Na rede, a etiqueta correlacionada resolve isso. Sem ela, o transferidor pode indicar o código transponder, a posição em relação a um ponto que os dois vejam na tela, ou pedir ao piloto um IDENT ou uma mudança de código para o aceitante observar. Essas duas últimas formas exigem combinar antes, porque a indicação na tela é curta6.

O aceitante confirma

Depois de identificar a aeronave, o aceitante informa ao transferidor que completou o contato e mantém a identificação. Se necessário, informa também a frequência e o código transponder7. Sem vigilância, a regra é a mesma: o aceitante notifica que estabeleceu contato e assumiu o controle, salvo acordo em contrário8.

Transferência de comunicações

Situação Quando mandar o piloto trocar de frequência
Separação com vigilância ATS Imediatamente depois que o aceitante concordar em assumir o controle9
Separação convencional 5 minutos antes da hora prevista no limite comum das áreas10

Nunca antes do aceite

Com vigilância, a troca de frequência vem depois do aceite, não antes. Um piloto que chama uma posição que ainda não aceitou a transferência fica numa frequência onde ninguém responde por ele. Se o aceite não vier, coordene pelo chat e, enquanto isso, mantenha a aeronave na sua frequência e longe do limite.

O aviso de que a aeronave foi instruída a chamar o aceitante só é exigido quando houver acordo entre os órgãos nesse sentido11.

Passando para um órgão sem vigilância

Se o próximo setor ou órgão vai prestar separação convencional, você precisa entregar a aeronave já separada por esse método. Estabeleça a separação convencional antes que a aeronave chegue ao limite da sua área ou saia da cobertura de vigilância12. Não basta estar a 5 NM do outro tráfego: o próximo controlador não vê a tela e precisa de níveis, tempos ou distâncias DME que consiga aplicar.

Quem entrega a quem, e quando

ACC e APP

Fluxo A transferência ocorre Fonte
Chegadas Ao cruzar o limite lateral da TMA nos pontos de notificação, ao cruzar o limite vertical, ou num ponto acordado a partir do qual o APP possa assumir 13
Saídas Ao cruzar o limite lateral da TMA nos pontos de notificação, ao cruzar o limite vertical, ou num ponto acordado a partir do qual o ACC possa assumir 14
Voos visuais chegando Podem ser transferidos direto do ACC para a TWR, em coordenação com o APP 15

O APP pode emitir autorizações a qualquer aeronave que lhe tenha sido transferida pelo ACC, sem notificá-lo16.

APP e TWR

Fluxo A transferência ocorre Fonte
Chegadas Quando a aeronave estiver nas vizinhanças do aeródromo e a aproximação e o pouso puderem ser completados com referência visual, ou quando tiver pousado 17
Saídas Imediatamente após a decolagem, ou antes de a aeronave entrar em condições de voo por instrumentos 18

O APP mantém o controle das chegadas até que sejam transferidas e estejam em comunicação com a TWR19. Com vigilância, ele continua responsável pela separação entre aeronaves sucessivas na final, a menos que o procedimento local transfira essa responsabilidade à torre20. Mande a aeronave para a torre num ponto em que a autorização de pouso ainda possa ser dada a tempo21. Veja também Sequenciamento, Na final.

TWR e solo

Fluxo A transferência ocorre Fonte
Chegadas Depois que a torre passa a hora de pouso e a autorização para livrar a pista e trocar para o solo, ou em outra posição combinada na área de manobras. O piloto só troca de frequência depois de livrar a pista 22
Saídas Na posição 2 (ponto de espera), ou em outra posição combinada na área de manobras 23

No EuroScope

Ação Como
Iniciar a transferência F4 sobre a etiqueta e escolha do próximo controlador
Aceitar uma transferência F3 sobre a etiqueta
Rejeitar uma transferência recebida F4 sobre a etiqueta
Avisar um vizinho sem transferir (point out) F1 + P (.point) com o identificador do controlador
Registrar nível, proa e velocidade Campos da etiqueta, ou F8 para o nível

A rotina de cada transferência:

  1. Antes do limite, confira se o que está na etiqueta é o que você autorizou.
  2. Transfira com F4, com antecedência suficiente para o aceitante analisar.
  3. Espere o aceite. Sem resposta, chame pelo chat.
  4. Mande o piloto trocar de frequência só depois do aceite.
  5. Se o aceitante pedir uma modificação, aplique-a antes de entregar o tráfego.

Veja os atalhos completos em Comandos do EuroScope.


  1. ICA 100-37, Art. 969. Ver ICA 100-37. ↩

  2. ICA 100-37, Art. 970. ↩

  3. ICA 100-37, Art. 971 e parágrafo único. ↩

  4. ICA 100-37, Art. 972 e parágrafo único. ↩↩

  5. ICA 100-37, Art. 915. ↩

  6. ICA 100-37, Art. 916, incisos II, VI, VII e VIII, e § 5°. ↩

  7. ICA 100-37, Art. 974 e parágrafo único. ↩

  8. ICA 100-37, Art. 835. ↩

  9. ICA 100-37, Art. 833. ↩

  10. ICA 100-37, Art. 832. ↩

  11. ICA 100-37, Art. 834. ↩

  12. ICA 100-37, Arts. 939 e 947. ↩

  13. ICA 100-37, Art. 839. ↩

  14. ICA 100-37, Art. 840. ↩

  15. ICA 100-37, Art. 839, parágrafo único. ↩

  16. ICA 100-37, Art. 838, inciso I. ↩

  17. ICA 100-37, Art. 848. ↩

  18. ICA 100-37, Art. 849. ↩

  19. ICA 100-37, Art. 844. ↩

  20. ICA 100-37, Art. 1005. ↩

  21. ICA 100-37, Art. 1007. ↩

  22. ICA 100-37, Art. 853 e parágrafo único. ↩

  23. ICA 100-37, Art. 854. ↩