Fundamentos da Coordenação
O que é coordenar
Coordenar é trocar informações para que o serviço não se interrompa quando o voo muda de mãos1. A coordenação acontece entre órgãos diferentes (um APP e um ACC, por exemplo) e também entre posições de um mesmo órgão, como dois setores de um ACC ou a torre e o solo de um aeródromo1.
Ela deve ser feita pelo meio mais rápido disponível entre os envolvidos2. Na rede, isso costuma ser o chat privado do EuroScope, a própria etiqueta (pela transferência automatizada) ou um canal de voz combinado entre os controladores. Veja Coordenação na Rede.
A regra central
Sem coordenação, a aeronave não entra
"Não deverá ser permitido que uma aeronave sob controle de um órgão, ou posição de controle, adentre em espaço aéreo sob jurisdição de outro órgão, ou posição de controle, sem que antes tenha sido completada a coordenação."3
Toda a mecânica das próximas páginas serve a essa regra. Se a coordenação não foi concluída, a aeronave para antes do limite: em espera, com um vetor ou com uma restrição de nível. Ela só segue em frente quando a coordenação estiver completa.
Quem manda em quem
Os APP e as TWR cumprem as instruções de coordenação estabelecidas pelo ACC. As TWR cumprem também as do APP4. Na prática, quem está acima define as condições em que recebe e entrega o tráfego, dentro do que as cartas de acordo e os manuais operacionais já fixam.
Controle e comunicação: duas transferências
Uma transferência tem dois momentos distintos, que não precisam coincidir:
| Transferência de controle | Transferência de comunicações | |
|---|---|---|
| O que muda | Quem é responsável pela aeronave e pode emitir autorizações | Com quem o piloto fala |
| Quando | No limite comum, ou no ponto, hora e nível combinados5 | Com vigilância ATS: assim que o aceitante concorda em assumir. Sem vigilância: 5 minutos antes do limite6 |
| Como se vê no EuroScope | A etiqueta passa a "assumida" pelo novo controlador | O piloto chama na nova frequência |
A consequência mais importante está no intervalo entre as duas. A responsabilidade continua sendo do órgão em cuja área a aeronave está até a hora estimada em que ela cruzar o limite7. O aceitante pode já estar falando com o piloto, mas, até lá, não altera a autorização sem o consentimento do transferidor7.
Exemplo
O SBWR_APP (Controle Brasília) transfere um tráfego de saída para o SBBS_CTR a 15 NM do limite da TMA, ainda subindo para o FL 140. O centro já fala com o piloto, mas a aeronave ainda está no espaço do APP. Se o centro quiser liberá-la para o FL 340 antes do limite, precisa combinar com o APP, que pode ter outro tráfego acima do FL 140 dentro da TMA.
Onde a transferência acontece
A aeronave é transferida no ponto, na hora e no nível do limite entre as áreas, ou em qualquer outro ponto, hora e nível previamente estabelecidos pelos órgãos5. Esses pontos e condições são fixados por instruções específicas ou por uma carta de acordo operacional entre os órgãos adjacentes8. Na Vatsim Brasil, eles estão nos manuais operacionais de cada FIR, TMA e aeródromo.
Propor, aceitar, modificar
A coordenação é uma proposta seguida de uma resposta:
- O transferidor propõe. Envia os dados do plano de voo e do controle com antecedência suficiente para o aceitante analisar9.
- O aceitante responde. Aceita o controle nas condições propostas ou indica as modificações necessárias para aceitar10.
- A transferência acontece nas condições acordadas.
sequenceDiagram
participant T as Transferidor
participant A as Aceitante
participant P as Piloto
T->>A: Estimado: indicativo, rota, nível, hora no ponto
alt condições aceitas
A-->>T: De acordo
else precisa mudar
A-->>T: Modificação (nível, ponto, hora)
T->>P: Nova autorização
T->>A: Confirmado
end
Note over T,A: perto do limite
T->>A: Transferência (handoff)
A-->>T: Aceito
T->>P: Chame (órgão) em (frequência)
P->>A: Chamada inicial
A-->>T: Contato estabelecido As informações mínimas que o transferidor passa são o indicativo da aeronave, a rota e o nível e a hora estimada no ponto de transferência. O aceitante responde de acordo ou pedindo modificações11.
Mudanças perto do limite
Duas situações exigem cuidado:
- Uma aeronave que pede uma autorização inicial perto do limite de outra área é mantida dentro da área do transferidor até a coordenação ser concluída. Some o tempo da coordenação ao tempo até o limite12.
- Uma mudança de plano de voo pedida pela aeronave, ou proposta pelo controle, perto do limite depende da aceitação do órgão adjacente13.
Se o aeródromo de partida for tão próximo do limite que não dê tempo de coordenar depois da decolagem, coordene antes de emitir a autorização, com base na hora prevista de decolagem14.
Voos que entram ou saem do espaço controlado
A coordenação não se limita ao tráfego controlado:
- Quando uma aeronave que só recebe informação de voo e alerta vai entrar em espaço aéreo controlado, ou o contrário, coordene antes. Quem inicia é o órgão responsável pelo espaço em que a aeronave está15. A coordenação inclui os itens do plano de voo, a hora do último contato, o ponto e o estimado de entrada e qualquer outra informação pertinente16.
- Quando uma aeronave deixa de ser controlada, porque saiu do espaço controlado ou cancelou o IFR em espaço onde o VFR não é controlado, passe os dados ao órgão que vai prestar informação de voo e alerta no resto do voo17.
-
ICA 100-37, Art. 814 e parágrafo único. Ver ICA 100-37. ↩↩
-
ICA 100-37, Art. 815. ↩
-
ICA 100-37, Art. 822. ↩
-
ICA 100-37, Art. 821 e parágrafo único. ↩
-
ICA 100-37, Arts. 832 e 833. ↩
-
ICA 100-37, Art. 970, incisos IV e V. ↩
-
ICA 100-37, Arts. 824 e 973. ↩
-
ICA 100-37, Art. 825 e parágrafo único. ↩
-
ICA 100-37, Art. 973, parágrafo único. ↩
-
ICA 100-37, Art. 827 e parágrafo único. ↩
-
ICA 100-37, Art. 828. ↩
-
ICA 100-37, Art. 826 e parágrafo único. ↩
-
ICA 100-37, Art. 817 e parágrafo único. ↩
-
ICA 100-37, Art. 818. ↩
-
ICA 100-37, Art. 837. ↩