Separação, Rotas e Desvios
Sem radar, a separação não é observada: é calculada e protegida.
Leia antes de aplicar qualquer número
Nenhuma mínima desta página vale isolada. Cada uma depende de capacidade declarada e confirmada, de tipo de rota e de meio de comunicação. Aplicar valor menor sem a condição satisfeita é reduzir separação sem base.
Tabela de decisão
Pergunte na ordem e pare na primeira linha cuja condição esteja satisfeita. Quando mais de uma linha se aplicar, prevalece a maior mínima.
| Condição | Mínima | Fonte |
|---|---|---|
| Ambas RVSM, entre o FL 290 e o FL 410, em níveis diferentes | 1.000 pés | 1 2 |
| Alguma sem RVSM, ou RVSM suspenso por turbulência severa | 2.000 pés | 3 4 |
| Ambas RNP 10, rotas paralelas ou que não se interceptam | 50 NM laterais | 5 |
| Alguma sem certificação RNP 10 | 100 NM laterais | 6 |
| Mesma rota e nível, técnica do número Mach, precedente com Mach igual ou maior | 10 minutos | 7 8 |
| Mesma rota e nível, técnica do número Mach, precedente mais veloz | 9 a 5 minutos, ver tabela | 7 |
| Mesma rota e nível, técnica do número Mach, seguinte mais veloz | 10 minutos + compensação | 9 |
| Mesma rota e sentido, distância RNAV com leituras de um ponto comum | 80 NM | 10 8 |
| Mesma rota e nível, sem técnica do número Mach | 15 minutos | 11 |
| Rotas que se cruzam, mesmo nível | 15 minutos na interseção | 12 |
| Rotas opostas, sem separação lateral | Vertical de 10 minutos antes até 10 depois do cruzamento estimado | 13 |
| Subindo ou descendo cruzando o nível de outra, mesma rota | 15 minutos | 14 |
A mínima de 10 minutos substitui os 15 quando os auxílios permitem determinar continuamente posições e velocidades11 12 14.
Separação vertical
| Faixa | Mínima |
|---|---|
| Abaixo do FL 290 | 1.000 pés |
| Entre o FL 290 e o FL 410, inclusive | 2.000 pés, ou 1.000 pés onde se aplica RVSM |
| Acima do FL 410 | 2.000 pés |
Todo o espaço entre o FL 290 e o FL 410 da FIR é RVSM2, então 1.000 pés é a regra na faixa de cruzeiro, desde que ambas sejam aprovadas RVSM.
Cruzamento de níveis. Uma aeronave pode ser autorizada a nível previamente ocupado depois que a outra reportar tê-lo liberado, exceto com turbulência forte, subida de cruzeiro, ou diferença de desempenho que possa reduzir a mínima15.
Separação lateral
A mínima publicada para o corredor EUR/SAM é 50 NM entre aeronaves RNAV certificadas RNP 105, e 100 NM para quem não é certificado6. É esse o valor a usar.
Para rotas que se cruzam, o ponto de separação lateral segue a especificação de navegação: RNAV 10 (RNP 10) 50 NM, RNP 4 23 NM, RNP 2 15 NM16.
As mínimas reduzidas exigem PBCS
A ICA 100-37 prevê 23 NM condicionada a RCP 240, RSP 180 e contrato de evento ADS-C17. Enquanto a AIP não publicar essas mínimas para o corredor, aplique 50 NM.
Ao receber informação de falha ou degradação de navegação, aplique outro tipo ou mínimo de separação; os mínimos baseados em distância RNAV deixam de valer18.
Técnica do número Mach
Aeronaves a jato na mesma rota mantêm números Mach especificados para garantir espaçamento longitudinal19. Exige que tenham reportado o mesmo ponto comum e sigam a mesma rota ou rotas continuamente divergentes20.
Precedente mais veloz
| Diferença de Mach | Separação mínima |
|---|---|
| 0 ou 0,01 | 10 minutos |
| 0,02 | 9 minutos |
| 0,03 | 8 minutos |
| 0,04 | 7 minutos |
| 0,05 | 6 minutos |
| 0,06 ou mais | 5 minutos |
Exemplo
Precedente em Mach 0.83, seguinte em Mach 0.78. Diferença de 0,05 a favor da precedente: a mínima cai de 10 para 6 minutos21.
Seguinte mais veloz
O espaçamento no ponto de entrada precisa ser aumentado: some 1 minuto a cada 0,01 de diferença de Mach, dentro de 600 NM entre os pontos de entrada e saída9.
| Rota ATS | Pontos | Distância | Multiplicador |
|---|---|---|---|
| UZ51 | DAKAP e MOVGA | 517 NM | 1x |
| UN741 | JOBER e NANIK | 493 NM | 1x |
| UN866 | MAGNO e DEKON | 475 NM | 1x |
| UN873 | VUNOK e TASIL | 449 NM | 1x |
| UN857 | UTRAM e ERETU | 431 NM | 1x |
| UL206 | BUGAT e KODOS | 340 NM | 1x |
Exemplo
Na UZ51 via DAKAP, precedente em Mach 0.82 e seguinte em Mach 0.84. Diferença de 0,02, multiplicador 1x: some 2 minutos aos 10. Exigem-se 12 minutos no ponto de entrada22.
Consultar o piloto sobre ajuste de velocidade é facultado, mas não deve ser rotina23.
Perda de capacidade
| Perdeu | Efeito | Ação |
|---|---|---|
| Aprovação RVSM | Vertical volta a 2.000 pés | Reposicionar níveis antes de infringir3 |
| Precisão de navegação | Laterais e distância RNAV deixam de valer | Aplicar outro tipo ou mínimo18 |
| ADS-C | Sem posição automática | Exigir reportes e restabelecer mínimos24 |
| Número Mach atribuído | A técnica deixa de sustentar a mínima reduzida | Voltar a 10 ou 15 minutos |
Separação de emergência. Se durante uma emergência não for possível assegurar a separação horizontal, pode excepcionalmente ser usada metade da mínima vertical: 500 pés onde se aplicam 1.000, e 1.000 pés onde se aplicam 2.00025. As tripulações precisam ser informadas de que ela está sendo aplicada, de qual é o valor, e receber informação de tráfego essencial26.
Conflitos perto do limite da FIR
- Calcule a separação no ponto de transferência, não onde a aeronave está.
- Coordene antes de agir27.
- Resolva do seu lado: ajuste nível, Mach ou horário antes da entrega.
- Se o adjacente estiver offline, resolva integralmente dentro da sua jurisdição.
SLOP
O deslocamento estratégico lateral está em vigor na FIR Atlântico e é prática padrão dos pilotos28:
- deslocamento somente à direita, em três posições: eixo, 1 NM ou 2 NM;
- nunca além de 2 NM, nunca à esquerda;
- sem capacidade automática, voa-se no eixo;
- não exige autorização ATC e não precisa ser avisado;
- os reportes continuam baseados na autorização vigente, não no deslocamento.
O SLOP não aparece como desvio
Uma aeronave em SLOP reporta o mesmo fixo que reportaria no eixo. Até 2 NM não é erro de navegação e não deve ser questionado. O que exige atenção é o desvio lateral de 5 NM, que dispara o contrato de evento ADS-C29.
Desvios
Aeronave incapaz de cumprir a autorização
Se não puder seguir a autorização, ou manter a precisão de navegação exigida, o ATC deve ser imediatamente informado30. Ao receber:
- Identifique o que ela não consegue cumprir.
- Confirme a intenção concreta: que nível, que rumo, por quanto tempo.
- Proteja a separação antes que a mínima anterior seja infringida.
- Coordene com o adjacente afetado e registre.
Desvio meteorológico
- Receba a solicitação com lado e distância pretendida.
- Avalie o tráfego na faixa lateral e nos níveis adjacentes.
- Autorize com limite explícito: quantas milhas, por quanto tempo, com instrução de reportar o retorno.
- Reavalie a separação longitudinal, porque o desvio muda os estimados.
- Peça o estimado revisado e coordene com o adjacente.
Turbulência severa afetando a manutenção de nível gera UNABLE RVSM DUE TURBULENCE31 e leva a considerar a suspensão do RVSM na área4.
Conflito entre desvio e tráfego
Nesta ordem: nível primeiro, que é a solução mais rápida e verificável; depois ajuste de Mach; depois limitar a extensão lateral autorizada; e informação de tráfego às duas aeronaves quando nada resolver por completo.
Exija reporte explícito do retorno ao eixo com estimado revisado. Até lá, mantenha a proteção estabelecida.
-
ICA 100-37, Art. 323. ↩
-
ICA 100-37, Art. 378, e CIRCEA 100-66, Art. 6° e Tabela 1. ↩↩
-
ICA 100-37, Arts. 386 e 387. ↩
-
ICA 100-37, Art. 366. ↩
-
ICA 100-37, Arts. 330 e 331. ↩
-
ICA 100-37, Art. 353, Tabela 4. ↩
-
ICA 100-37, Art. 350, Tabela 3. ↩
-
CIRCEA 100-66, Art. 4°, inciso VI. ↩
-
ICA 100-37, Art. 377. ↩
-
CIRCEA 100-66, Quadro 1. ↩
-
CIRCEA 100-66, Quadro 3. ↩
-
CIRCEA 100-66, Art. 10. ↩
-
AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.5.2.6.2. ↩
-
ICA 100-37, Art. 270. ↩
-
ICA 100-37, Art. 271. ↩
-
ICA 100-37, Art. 822. ↩
-
AIP-Brasil, ENR 3.5, itens 7.9.1 a 7.9.3.8. ↩
-
AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.5.2.3. ↩
-
AIP-Brasil, ENR 3.5, item 8.8.1. ↩
-
AIP-Brasil, ENR 2.2, item 1.13. ↩