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Fluxo Operacional e Reportes

O que acontece com uma aeronave da entrada à transferência, e como manter o registro que substitui a tela de radar.

Entrada por transferência

É o caso normal: o órgão anterior está online e coordena a entrega.

O que a coordenação precisa trazer

Elemento Para quê
Identificação Base do registro
Ponto de entrada Por onde cruza o limite
Estimado sobre o ponto Base do cálculo de separação
Nível Separação vertical
Número Mach Técnica do número Mach
Rota após a entrada Pontos seguintes e adjacente de saída
Capacidades RVSM, RNP 10, ADS-C, CPDLC e SELCAL
Meio de comunicação Por onde a aeronave está sendo tratada

Fluxo

  1. Confira cada elemento da tabela acima.
  2. Analise o plano de voo conforme Plano de voo e capacidades.
  3. Procure conflito com quem já está na FIR, antes de aceitar.
  4. Aceite ou renegocie. Não poder aceitar nas condições propostas é normal: peça outro nível, outro Mach ou outro horário sobre o ponto de entrada1.
  5. Confirme o enlace. Vindo de FIR com enlace, a conexão passa sozinha; se não passou, o piloto refaz o logon com SBAO2.
  6. Estabeleça a comunicação e confirme identificação, posição, hora, nível e Mach.
  7. Abra o registro com o estimado do próximo ponto.

Não aceite sem coordenação completa

Uma aeronave não deve adentrar espaço aéreo de outro órgão sem coordenação concluída3. Quem cruza a fronteira sem isso fica, por alguns minutos, sob responsabilidade de ninguém.

Entrada sem ATC online

O caso mais frequente na rede: a aeronave voou horas sem nenhum órgão conectado e não existe registro.

  1. Identifique pelo indicativo e pelo plano arquivado.
  2. Não presuma nada a partir do plano de voo.
  3. Peça um reporte de posição completo.
  4. Confirme rota, nível e Mach que ela está realmente cumprindo.
  5. Confirme as capacidades e peça o logon, se aplicável.
  6. Avalie conflitos agora com dados reais.
  7. Estabeleça o serviço: identifique o órgão, confirme nível e Mach a manter e defina o próximo ponto de reporte.

Na rede (Vatbrz)

Ao abrir a posição, faça isso com todas as aeronaves já dentro da FIR, uma a uma, antes de emitir qualquer autorização.

Reportes de posição

O reporte é o que substitui a tela. A responsabilidade de confeccionar e transmitir é do piloto4.

Formato

CALLSIGN, POSITION, TIME, LEVEL, MACH, NEXT POSITION and ESTIMATE, ENSUING POSITION

Os seis elementos normativos são identificação, posição, hora, nível (incluindo o que está cruzando e o autorizado, se diferentes), próxima posição com hora, e ponto significativo seguinte5. O número Mach entra sempre que tiver sido atribuído6.

Exemplo

Indicativo e fixos fictícios.

"Atlantico Center, EXEMPLO 123, position NIMAX at 1412, flight level 370, Mach decimal 82, estimating KOSAX at 1448, next TEBRO."

Registre: NIMAX às 1412, FL 370, Mach 0.82, KOSAX às 1448, depois TEBRO. O estimado de 1448 passa a ser a base de separação com quem mais cruzar KOSAX.

Quando é exigido

Situação
Sobre os pontos de notificação compulsória, ou logo após passá-los7
No cruzamento dos limites laterais da FIR7
Por solicitação do órgão ATS7
Em rota sem pontos compulsórios: após os primeiros 30 minutos, depois de hora em hora7
Na entrada da FIR, por CPDLC, mesmo em ADS-C8
Na AORRA, a cada 10° de longitude9

Quando é dispensado

Com ADS-C ativa e funcionando, o reporte por voz não é necessário, salvo solicitação10. A dispensa vale enquanto o dado chega: no instante em que a ADS-C falha, os reportes voltam a ser exigidos e cabe a você informar isso ao piloto11.

Vento e temperatura não fazem parte

Eles aparecem no bloco meteorológico de um informe ADS-C e em um AIREP Especial, não no reporte de posição de rotina. Não peça.

Estimados

Uma revisão superior a 2 minutos exige ação12. Ao recebê-la, recalcule imediatamente todos os pares que dependiam do estimado anterior.

Exemplo

EXEMPLO 123 havia informado KOSAX às 1448 e agora informa 1455. São 7 minutos. Se havia outra aeronave planejada para KOSAX às 1500 com 10 minutos de separação, a mínima foi comprometida e exige ação imediata.

Reporte que não chegou

O controle não deve ser baseado no pressuposto de que o estimado foi cumprido. Tome ação imediata para obter o reporte se houver qualquer influência sobre outra aeronave13.

  1. Marque a hora em que o reporte era esperado.
  2. Chame a aeronave; sem resposta, tente SELCAL e os demais meios.
  3. Trate a aeronave como podendo estar em qualquer ponto entre o último reporte confirmado e a posição projetada, e afaste os demais tráfegos dessa faixa.
  4. Solicite contrato ADS-C por demanda ou mensagem CPDLC.
  5. Avise o adjacente de que o estimado está incerto.

Registro da progressão

Mantenha, por aeronave:

  • último ponto reportado, com hora exata;
  • nível atual e nível autorizado, se diferentes;
  • número Mach atribuído;
  • próximo ponto e estimado vigente;
  • ponto subsequente;
  • meio de comunicação e capacidades confirmadas.

Na rede (Vatbrz)

Use os campos de tag e as listas do perfil distribuído no pacote de setor. O que está na tela sobrevive a uma reconexão; o que está no papel não.

Saída da FIR

  1. Calcule o estimado do ponto de transferência e revise-o quando o quadro mudar.
  2. Coordene com antecedência suficiente para a análise do adjacente14.
  3. Aguarde a aceitação, ajustando antes da fronteira se ele indicar outras condições1.
  4. Instrua a aeronave com CONTACT ou MONITOR, conforme o caso15.
  5. Trate o enlace: transferência automática se o próximo órgão também usa, senão encerre a conexão2.
  6. Encerre o registro com a hora sobre o ponto de transferência.

Quando o próximo órgão não está online

  1. Informe ao piloto que não há órgão ATS conectado à frente.
  2. Oriente-o a tentar contato com o órgão seguinte com pelo menos 5 minutos de antecedência do estimado sobre o fixo, transmitindo identificação, procedência, destino, rota, nível, código transponder, estado RVSM e estimado16.
  3. Registre a última posição, nível e Mach.
  4. Encerre o serviço de forma explícita. O piloto precisa saber que deixou de ter órgão responsável.

  1. ICA 100-37, Art. 825. ↩↩

  2. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.2.3. ↩↩

  3. ICA 100-37, Art. 822. ↩

  4. ICA 100-37, Arts. 171 e 172. ↩

  5. ICA 100-37, Art. 178. ↩

  6. ICA 100-37, Art. 180. ↩

  7. ICA 100-37, Art. 173. ↩↩↩↩

  8. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.5.2.1. ↩

  9. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 8.8.2. ↩

  10. ICA 100-37, Art. 179, e AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.5.2.2. ↩

  11. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.5.2.6.2. ↩

  12. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.5.2.5. ↩

  13. ICA 100-37, Art. 174. ↩

  14. ICA 100-37, Art. 824. ↩

  15. AIP-Brasil, ENR 3.5, itens 9.4.1.5 e 9.4.1.6. ↩

  16. AIP-Brasil, ENR 1.8, item 2.3.3.1.2. ↩