Coordenação e Contingências
Em espaço procedural a coordenação pesa mais do que em espaço radar, porque o órgão aceitante não tem como conferir sozinho o que recebeu.
Formato de coordenação
Use sempre a mesma sequência. Ela cobre o exigido1 e cabe em uma linha.
Exemplo
Saída: "EXEMPLO 123, KOSAX at 1448, flight level 370, Mach decimal 82, route direct TEBRO, RVSM and RNP 10, ADS-C and CPDLC active, SELCAL AB-CD."
Aceitação: "EXEMPLO 123 accepted at flight level 370."
Renegociação: "EXEMPLO 123 unable flight level 370 due traffic. Available flight level 350 or estimate KOSAX 1500."
Quando coordenar
Sempre que algo já informado ao adjacente mudar:
| Gatilho | O que informar |
|---|---|
| Estimado revisado | Novo estimado e motivo |
| Mudança de nível | Novo nível e ponto em que estará nivelada |
| Mudança de Mach | Novo Mach e efeito sobre o estimado |
| Rota alterada | Nova rota, novo ponto de saída, novos estimados |
| Desvio meteorológico | Lado, extensão, duração e estimado revisado |
| Emergência | Natureza, intenções e assistência necessária |
| Falha de comunicação | Último contato, última posição confirmada, nível e Mach |
| Tráfego conflitante | Identificação, posição, nível e trajetória |
| Mudança de posição na rede | Quem assume, a partir de quando, e cada tráfego |
Uma aeronave não deve adentrar espaço aéreo de outro órgão sem coordenação concluída2.
Entre posições da FIR
Quando a FIR opera desmembrada, as posições trocam informações de plano de voo e controle de tudo que é transferido e de tudo que evolui perto do limite interno3. Trate a fronteira interna como fronteira de FIR.
- Ao abrir um desmembramento: quem chega recebe a lista completa dos tráfegos que passam para a sua área.
- Ao fechar: quem sai entrega a mesma lista e confirma que a outra posição recebeu cada um.
Contingências
A sequência, sempre a mesma
Identificar → Confirmar → Proteger a separação → Estabelecer meio alternativo → Coordenar → Registrar → Normalizar ou transferir.
Proteger a separação vem antes de restabelecer a comunicação. Não depende dela.
Tabela de ação
| Situação | Ação imediata | Efeito na separação |
|---|---|---|
| Perda de CPDLC | Reverter para voz com CPDLC FAILURE; diálogos pendentes recomeçam4 | Mínimas dependentes de enlace deixam de valer |
| Perda de ADS-C | Informar o piloto (o equipamento dele não avisa) e exigir reportes5 | Restabelecer mínimos sem ADS-C |
| Falha de voz | Tentar frequências secundárias e 121.5 MHz6; usar CPDLC no interim7 | Ampliar separação com os afetados |
| Falha de SELCAL | Combinar escuta permanente na frequência e seguir | Nenhum: é recurso de chamada |
| Perda total de comunicação | Esgotar 121.5 MHz, SELCAL, frequência da empresa, ar-ar 123.45 MHz e outras tripulações6 8 | Ver abaixo |
| Degradação de navegação | Aumentar frequência dos reportes | Outro tipo ou mínimo; RNAV deixa de valer9 |
| Não mantém nível ou Mach | Obter o que ela consegue manter e por quanto tempo | Vertical volta a 2.000 pés; Mach deixa de reduzir10 |
| Desvio meteorológico urgente | Informar tráfego conflitante, oferecer nível livre, depois tratar do lateral | Ver Separação |
| Emergência declarada | Confirmar intenções, limpar níveis e rota, prestar toda assistência11 | Separação de emergência se necessário12 |
| Sem capacidades declaradas | Confirmar o que ela faz de fato e exigir reporte em todos os pontos | Mínimas maiores: 2.000 pés, 100 NM, sem redução por Mach |
| Piloto desconecta | Registrar hora e última posição; avisar quem o aguardava | Liberar o espaço protegido |
| Controlador reconecta | Não presumir o quadro anterior: refazer o levantamento e pedir reporte a todos | Reconfirmar coordenações pendentes |
| Sobrecarga | Desmembrar, ou coordenar espaçamento maior na entrega | Nunca improvisar mínimas menores |
| Adjacente sai sem coordenar | Assumir até o limite da jurisdição e tratar cada saída como órgão offline | Resolver conflitos dentro da FIR |
| Conflito detectado tarde | Verticalizar primeiro, informar tráfego às duas, depois velocidade ou rota | Emergência se nada resolver12 |
Perda completa de comunicação
Além da tabela acima:
- Trate a aeronave como podendo estar em qualquer ponto entre a última posição confirmada e a projetada, e afaste todos os demais tráfegos dessa faixa e do nível.
- Oriente as outras aeronaves a tentarem contato na frequência ar-ar 123.45 MHz, prevista para voo em zonas remotas e oceânicas fora do alcance de estações VHF8.
- Informe todos os adjacentes e o próximo órgão da rota.
Fases de emergência
A Fase de Incerteza (INCERFA) começa 30 minutos após a hora em que a comunicação era esperada, ou da primeira tentativa infrutífera, o que ocorrer primeiro13. Cai para 15 minutos em voos de até 1 hora14. Seguem-se ALERFA e DETRESFA se as tentativas continuarem infrutíferas15.
Emergência com ADS-C
Aeronave equipada pode ativar o modo de emergência do ADS-C. Recebido o reporte, acuse o recebimento pelo meio mais apropriado e preste toda a assistência possível11.
-
ICA 100-37, Arts. 814, 818 e 824. ↩
-
ICA 100-37, Art. 822. ↩
-
ICA 100-37, Art. 852. ↩
-
AIP-Brasil, ENR 3.5, itens 9.4.4.2 a 9.4.4.5. ↩
-
AIP-Brasil, ENR 3.5, itens 9.5.2.6.1 e 9.5.2.6.2. ↩
-
AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.1.4. ↩
-
ICA 100-37, Arts. 337 e 382. ↩
-
AIP-Brasil, ENR 2.2, itens 1.6 e 1.13. ↩
-
ICA 100-37, Art. 804. ↩
-
ICA 100-37, Art. 805. ↩
-
ICA 100-37, Arts. 807 e 808. ↩