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Comunicações e Vigilância

Aqui comunicação e vigilância são o mesmo assunto: você sabe onde a aeronave está porque ela informou, pelo mesmo meio que você usa para responder. Perder o meio de comunicação é perder a vigilância.

Hierarquia dos meios

Ordem Meio Função
1 ADS-C Posição automática e conformidade de rota
2 CPDLC Autorizações, instruções e reportes por texto
3 Voz Meio secundário, e primário para quem não tem enlace
4 SELCAL Chamada seletiva para recuperar aeronave silenciosa

ADS-C e CPDLC são o meio primário do ACC Atlântico, com HF como secundário1.

ADS-C

ADS-C não é radar

O dado é dependente e automático: vem da própria aeronave, com a precisão do sistema dela, em intervalos discretos. Não há eco independente, não há atualização contínua, não há vetoração. Tratar como tela radar leva a decisões de separação que a fonte do dado não sustenta.

Contratos estabelecidos na FIR Atlântico2:

Tipo Gatilho
Periódico A cada 15 minutos
Por evento Pontos de notificação
Por evento Desvio lateral de 5 NM
Por evento Desvio de altitude de 200 pés
Por evento Razão vertical de mais ou menos 2.000 pés por minuto
Por demanda Necessidade operacional

Os contratos por evento são o que transforma a ADS-C em ferramenta de conformidade: qualquer saída de rota, desvio de nível ou início de subida gera notificação sem você perguntar.

Mesmo em ADS-C, o piloto deve enviar uma mensagem de posição em CPDLC na entrada da FIR3. Os estimados só precisam ser atualizados se variarem mais de 2 minutos4.

Se a ADS-C falhar, o piloto normalmente não é alertado pelo equipamento de bordo5. Ao receber a notificação de falha: informe o piloto, exija reportes por CPDLC ou voz e restabeleça os mínimos aplicáveis6.

CPDLC

Logon

O identificador publicado é SBAO7. Códigos dos desmembramentos em Estrutura e setorização.

Situação Regra
Quando fazer Entre 10 e 25 minutos antes de ingressar na FIR8
Decolando dentro do espaço aéreo Antes da decolagem8
Vindo de FIR com enlace Transferência automática; a tripulação confere ao cruzar o limite9
Logon rejeitado Indicativo e matrícula devem ser idênticos aos do plano de voo10

Regras de uso

Regra Fonte
Quem fala por CPDLC recebe resposta por CPDLC; por voz, resposta por voz 11
Todo diálogo deve ser fechado 11
Autorização por voz prevalece sobre a por CPDLC 12
Texto livre só quando não houver mensagem padronizada; evite mensagens longas 13
A CPDLC não é usada para vetorações 14
MONITOR: muda de frequência sem chamada inicial 15
CONTACT: muda de frequência e faz chamada inicial 15

Se a CPDLC falhar, reverta para voz iniciando com CPDLC FAILURE, ou ALL STATIONS CPDLC FAILURE se a falha for do sistema de solo. Mensagens pendentes são consideradas não encaminhadas e os diálogos recomeçam16. Fraseologia completa em Fraseologia e mensagens.

Voz

Na rede, a voz ocorre no canal VHF da posição, conforme Estrutura e setorização. O contato inicial precisa estabelecer três coisas:

  1. Identificação: indicativo da aeronave e do órgão.
  2. Situação: posição, hora, nível e, se atribuída, a velocidade. A velocidade atribuída entra na chamada inicial após qualquer mudança de frequência17.
  3. Capacidade: se há enlace ativo e se há SELCAL.

Real e simulação

Este manual não afirma que o áudio da VATSIM reproduza propagação, cobertura ou degradação de HF. Trate o canal pelo que ele é: um canal de voz estável associado à posição.

SELCAL

Código de quatro letras, obrigatório no item 18 precedido de SEL/18. Duas regras práticas:

  1. Não faça cheque de SELCAL no primeiro contato de aeronave em CPDLC, salvo se você solicitar19.
  2. Use o SELCAL para recuperar quem não responde, ao lado de 121.5 MHz, frequência da empresa, frequência ar-ar e outras tripulações20.

Real e simulação

Não há decodificador de bordo na rede: o cheque é convenção de fonia. Se o piloto não reconhecer o procedimento, não insista; combine escuta permanente na frequência e siga.

Quando o meio primário falha

A separação não pode depender de um meio que deixou de existir.

Perdeu O que fazer
ADS-C Exigir reportes por CPDLC ou voz e restabelecer os mínimos aplicáveis6
CPDLC Reverter para voz com CPDLC FAILURE e recomeçar os diálogos pendentes16
Voz Usar CPDLC para manter a segurança do voo até restabelecer21
Ambos Aplicar o fluxo de contingências

  1. AIP-Brasil, ENR 3.5, itens 8.3.1 e 9.5.1.3. ↩

  2. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.5.2.3. ↩

  3. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.5.2.1. ↩

  4. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.5.2.5. ↩

  5. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.5.2.6.1. ↩

  6. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.5.2.6.2. ↩↩

  7. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.2.1. ↩

  8. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.2.2. ↩↩

  9. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.2.3. ↩

  10. AIP-Brasil, ENR 3.5, itens 9.2.4 e 9.2.5. ↩

  11. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.4.1.3. ↩↩

  12. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.4.1.7. ↩

  13. AIP-Brasil, ENR 3.5, itens 9.4.1.1 e 9.4.1.2. ↩

  14. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.1.6. ↩

  15. AIP-Brasil, ENR 3.5, itens 9.4.1.5 e 9.4.1.6. ↩↩

  16. AIP-Brasil, ENR 3.5, itens 9.4.4.2 a 9.4.4.5. ↩↩

  17. ICA 100-37, Art. 180. ↩

  18. MCA 100-11, item 2.2.8.1.12, e AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.4.3.2. ↩

  19. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.5.1.2. ↩

  20. ICA 100-37, Art. 268. ↩

  21. AIP-Brasil, ENR 3.5, item 9.1.4. ↩